O empresário Américo Amorim, mozelense fundador da Corticeira Amorim, morreu esta quinta-feira, aos 82 anos.

Considerado o homem mais rico de Portugal, Américo Ferreira de Amorim, construiu um dos maiores impérios industriais do país.

O empresário natural da freguesia de Mozelos, Santa Maria da Feira, teve uma infância modesta, fez o Curso Comercial no Porto e foi trabalhar nos anos 50 para a empresa de cortiça da família.

Em 1963 é fundada a Corticeira Amorim, que tem como sócios os quatro irmãos da família e um tio.

Américo Amorim aposta na exportação e na internacionalização da empresa e, quando em Abril de 1974 tem lugar a revolução dos cravos, o empresário é já descrito como um homem rico.

Nessa altura, Amorim aproveita para investir, quando muitos dos mais ricos de então se querem desfazer do seu património. “Enquanto os outros fugiam, eu fiquei e comprei”, disse à Visão.

Nas décadas seguintes, Américo Amorim conseguiu diversificar os negócios. Esteve envolvido, em 1981, na criação da Sociedade Portuguesa de Investimentos (SPI), que daria lugar ao BPI, mais tarde virá a participar no BCP, o banco privado fundado em 1985.

Depois da aposta no sector financeiro, o império Amorim assume também posições em sectores como as telecomunicações, turismo e petróleo.

Nos últimos anos, Américo Amorim surgiu quase ininterruptamente na revista Forbes como o homem mais rico de Portugal. Na lista anual de 2016 da revista surgem 1.810 milionários e o empresário português ocupa a posição 369, a mesma do ano anterior, com uma fortuna estimada em 4,1 mil milhões de dólares (3,7 mil milhões de euros). Atrás dele, mas a larga distância, aparecem dois outros portugueses, Alexandre Soares dos Santos e Belmiro de Azevedo.

“Não me considero rico. Sou trabalhador”, disse em 2011 ao “Jornal de Negócios”, questionado sobre se aceitaria um imposto especial para as grandes fortunas.

O presidente da junta de freguesia de Mozelos, José Carlos Silva diz que se perde um grande empresário e benemérito.