A trabalhadora Cristina Tavares, que denunciou alegados “castigos” e “assédio moral” por parte da empresa Fernando Couto-Cortiças, SA de Paços de Brandão, foi esta quinta-feira formalmente despedida.

A corticeira após ter suspenso a funcionária temporariamente para a elaboração do processo disciplinar  vem agora alegar que a operária teve “comportamentos consubstanciadores da prática de um crime de difamação”.

Em comunicado, a administração da corticeira acrescenta que “procedemos ao despedimento de Cristina Tavares (…) por ter ficado provado que a trabalhadora divulgou um conjunto de factos que bem sabia serem falsos e caluniosos, e que puseram em causa o bom nome da empresa, causando danos incomensuráveis e irreparáveis”.

A empresa remete para mais tarde outros dados, na expectativa que Cristina Tavares, venha a “impugnar o despedimento judicialmente, deixando a nossa defesa para o local próprio”, sublinha a cortiça.

O Sindicato dos Operários Corticeiros do Norte afirma que, ao “intentar uma ação contra um despedimento por extinção do posto de trabalho que foi julgado definitivamente ilícito, a coragem da trabalhadora em recusar uma indemnização em substituição da reintegração, a coragem da trabalhadora que lutou sozinha dentro da empresa pela efetiva reintegração no seu posto de trabalho(…), é considerado pela entidade patronal como crime (!). Para a empresa a trabalhadora foi agora despedida porque a considera criminosa (!)”, refere a nota.

O sindicato acrescenta que “não há limites legais, judiciais e éticos para esta entidade patronal(…), quem não aceita ser esmagado e humilhado e quem, no exercício dos mais elementares direitos, denuncia e expõe tais situações é despedido com justa causa”.

Para o próximo sábado o sindicato tem convocada uma conferência de imprensa, pelas 16.00 horas, na sede do Sindicato dos Operários Corticeiros do Norte, na qual estará presente o Secretário-Geral da CGTP-IN, Arménio Carlos, a Coordenadora da Federação Portuguesa Sindicatos da Construção, Cerâmica e Vidro, Fátima Messias, o Coordenador da União dos Sindicatos de Aveiro, Adelino Nunes, o Presidente do Sindicato dos Operários Corticeiros do Norte, Alírio Martins e a trabalhadora Cristina Manuela Neves Tavares.

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