Cristina Tavares, a trabalhadora despedida pela corticeira Fernando Couto – cortiças, SA de Paços de Brandão, vai ter na rua, com o apoio dos sindicatos e gente anónima, caminhadas solidárias.

A medida foi anunciada no passado sábado, em conferencia de imprensa, estando já marcada a primeira caminhada para o próximo sábado, 19 de janeiro, entre o Parque de Santa Maria de Lamas e a sede da APCOR – Associação Portuguesa da Cortiça, e Arménio Carlos apela a que nela participem “operários corticeiros, suas famílias e população em geral”, em defesa comum dos direitos dos trabalhadores.

O secretário Geral da CGTP-IN, Arménio Carlos, anuncia que “abriu-se uma segunda fase de confronto com a corticeira com recurso à via judicial”.

Alírio Martins referiu que, “esta empresa [Fernando Couto-Cortiças, SA] está a ter uma atitude criminosa e a APCOR está a pactuar. Quem cala consente”, acusou, assegurando que no decurso da primeira caminhada serão anunciadas outras ações idênticas a realizar noutros locais do país. “A Cristina infelizmente está despedida. Do ponto de vista sindical e jurídico vamos defende-la”, porque, “se há alguém que está em incumprimento com a justiça é a empresa”, sublinhou.

Em novembro de 2018, o caso já motivara, uma queixa-crime ao Ministério Público contra a Fernando Couto Cortiças S.A. O sindicato dos operários corticeiros do norte vai levar este despedimento na audiência que tem agendada para esta segunda-feira, 14 de janeiro, no Departamento de Investigação e Ação Penal de Santa Maria da Feira a propósito do assédio moral sobre Cristina Tavares. “A Cristina é uma trabalhadora vítima de assédio e de segundo despedimento ilícito. Merece a solidariedade de todos os trabalhadores portugueses”, adiantou, por seu lado, Arménio Carlos afirmando que, “é uma luta que não vai parar, enquanto ela não for reintegrada”.

Anunciou que o Sindicato “está já a trabalhar num processo por danos morais e reclamar uma indemnização por aquilo que a Cristina está a sofrer. “Não foi a Cristina que difamou a empresa. Foi a Autoridade para as Condições do Trabalho que confirmou que a trabalhadora estava a ser vítima de assédio”, não podemos permitir patrões do tempo da outra senhora a comportarem-se desta forma”.

Arménio Carlos diz estar disposto a “negociar” com a empresa, “se ela for reintegrada imediatamente”. Apelou à “celeridade aos tribunais para que a justiça seja feita em tempo oportuno”.

Em comunicado a corticeira defende-se salientando que a conferência de imprensa realizada no Sindicato dos Operários Corticeiros foi “um linchamento público da empresa, sem defesa, numa atitude de pré-julgamento unilateral de um caso que ainda vai ser julgado pelo Tribunal, onde deve ser tratado”.

A funcionária fora dispensada pela primeira vez em 2017 e a empresa foi obrigada judicialmente a reintegrá-la, mas sujeitou-a, no regresso, ao que a Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) considerou assédio moral impondo uma coima de 31.000 euros. Na quinta-feira, a funcionária foi de novo demitida, com acusações de difamação.

Foto: Dr