Os deputados municipais do PSD seguiram o mesmo caminho do executivo permanente e, ontem, na assembleia municipal, deram parecer desfavorável ao projecto/lei do BE, que pretende reverter a agregação das freguesias de Caldas de S. Jorge e Pigeiros. O CDS absteve-se tendo a restante oposição votado favoravelmente.

O presidente do município Emídio Sousa afirmou, tal como já tinha sucedido na reunião do executivo, que” a analise deve ser feita no global e não num acto isolado”, reafirmando que,” há casos em que a reversão poderá fazer sentido, mas depois de estarem definidos todos os critérios que o Governo está a elaborar”.

Filipe Moreira da CDU, começou por lembrar que “o partido socialista foi empurrando com a barriga este processo, embora se tratasse de uma promessa eleitoral para cumprir nesta legislatura”, concordando que, este caso, “é uma oportunidade única de voltar a devolver a freguesia de Pigeiros à população. Se os critérios anunciados pelo Governo forem avante, poderá não haver outra possibilidade”, alertou.

O deputado do CDS, Ângelo Santos, salientou que o partido interpreta esta pretensão da população de Pigeiros como já aconteceu com Milheiros de Poiares, “pela incapacidade do município em desenvolver o concelho”. O centrista referiu ainda que se quatro mil assinaram uma petição têm todo o direito de lutar por esse desejo, mostrando-se favorável à reversão das freguesias mas apoiada numa lei nacional.

Ângelo santos aproveitou para criticar o BE lamentando que um partido que deu suporte a um Governo não tenha tido a força para elaborar uma lei que fosse ao encontro dos anseios das populações, fazendo-o agora de uma forma avulsa e num caso isolado”

Salomé Ventura do BE começou por recordar a Ângelo Santos, que o partido em Junho 2016, apresentou na assembleia da república, “uma proposta para colocar o termo à lei que extinguiu as freguesias e esta foi rejeitada”, mostrando-se ao lado das populaçoes, culpando “os partidos da direita pela situação actual”.

A deputada bloquista reprovou a “inconsequência do PSD, não sendo capaz de levar avante aquilo que diz defender e que chegou a aprovar nesta casa”.

António Santos, deputado municipal pelo Partido Socialista, disse não perceber a razão “de dar um parecer positivo quando o mesmo não é vinculativo”, lembrando a Emídio Sousa que, “corre o risco de ser acusado pela população pigeirense de querer matar a freguesia”, atirou.

“Alguns deputados não sabem onde fica Pigeiros e, chegando esta pronuncia do município e da assembleia municipal às suas mãos, “vão pensar que, afinal, a população  está satisfeita o que não é verdade”, ressalvou.

O deputado social democrata, José Manuel Leão,  saiu em defesa da posição assumida pela sua bancada, assumindo que “o PSD da Feira sempre foi contra a agregação das freguesias”, culpando o partido socialista por ter levado “o país à bancarrota e à  consequente intervenção da Troika que “obrigou à extinção das freguesias”. “Hoje, existe legislação que será aprovada mas não da forma que está, porque senão, muitas das freguesias deixariam de existir”, avisou o social democrata.

No período reservado à intervenção do público, Alferes Pereira, que integra o movimento independente pela reversão de Pigeiros, começou por fazer uma resenha histórica da freguesia, elencando, posteriormente, as carências há muito reclamadas. ” A saida da A32 é a unica que não tem o nome da terra neste caso, Pigeiros; fomos quatro vezes campeões de futebol do Inatel e não temos um campo em condições; recebemos o PERM – Parque das Sucatas -, por imposição da câmara; estivemos cinco anos à espera que fosse feita uma biblioteca para, talvez o maior benemérito cultural do concelho; o Centro Cívico é das coisas mais feias da freguesia; temos um auditório amovível com cadeiras de praia;”, elencou.

Alferes Pereira deixou ainda o aviso: ” Pigeiros não vende a dignidade, a honra, a historia e o seu futuro. Pigeiros, quer ter a sua independência!”.

Direccionando o olhar para Emídio Sousa, o Pigeirense disparou: “Se Milheirós  passar para S. J da Madeira, Pigeiros pode ir a seguir (…) e o senhor presidente será o responsável”, acusou.