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Foto: Junta Argoncilhe
Rádio Clube da Feira

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Argoncilhe lança projeto para combater a solidão dos idosos e apoiar cuidadores informais

Argoncilhe lança projeto para combater a solidão dos idosos e apoiar cuidadores informais

A freguesia de Argoncilhe deu início ao projeto “Truz Truz Argoncilhe”, uma iniciativa de proximidade que pretende combater o isolamento social e prestar apoio a idosos e cuidadores informais através de uma rede de voluntariado.

Integrado no Fórum Social de Argoncilhe, o projeto nasceu de uma parceria entre a Junta de Freguesia, o Centro Social e Paroquial de Argoncilhe e o Município de Santa Maria da Feira. O objetivo passa por criar uma rede de visitas regulares ao domicílio, promovendo momentos de companhia, conversa e acompanhamento junto de quem vive mais isolado.

Segundo o presidente da Junta de Freguesia, Pedro Martins, trata-se de uma resposta a uma necessidade que tem vindo a ser identificada na comunidade.

“Sentimos que este é um projeto que faz falta. Há muitas pessoas que passam dias e semanas sozinhas em casa. Se conseguirmos levar um pouco do nosso tempo, uma conversa, apoio ou simplesmente companhia, já estaremos a contribuir para melhorar a qualidade de vida dessas pessoas”, afirmou à RCF.

Além do apoio emocional, o Truz Truz Argoncilhe contempla uma vertente prática, através da realização de pequenas reparações domésticas que podem fazer a diferença no dia a dia dos beneficiários.

“Uma lâmpada fundida, uma torneira para arranjar ou um pequeno trabalho que a pessoa já não consegue fazer sozinha podem tornar-se um problema. Queremos ter essa proximidade e ajudar”, explicou o autarca.

Visitas semanais e mais voluntários procurados

O projeto assenta numa bolsa de voluntários, que nesta fase inicial conta já com a participação de um grupo da Catequese de Argoncilhe. A intenção é que as visitas possam ocorrer semanalmente, de acordo com a disponibilidade de cada participante.

“O que cada pessoa puder dar é importante. Pode ser uma hora por semana, uma hora por mês ou duas horas. O essencial é garantir que os nossos idosos recebem visitas regulares e sintam que alguém se preocupa com eles”, refere Pedro Martins.

As visitas serão preferencialmente presenciais, embora possam também acontecer por telefone quando necessário.

O presidente da Junta acredita que existem muitos casos ainda por identificar e sublinha que o contacto direto com a população será fundamental para o crescimento da iniciativa.

“Já conhecemos algumas situações, mas há muitas pessoas que não se mostram nem pedem ajuda. No primeiro dia de visitas encontrámos dois casos de pessoas que vivem sozinhas e que nos pediram para voltar. É um trabalho que tem de ser feito na rua, a bater às portas, tal como o nome do projeto indica.”

Primeiras visitas deixaram marca

A primeira ação do Truz Truz Argoncilhe decorreu recentemente e superou as expectativas da organização. Embora estivesse prevista a visita a quatro pessoas, a equipa acabou por contactar com mais moradores durante o percurso.

“O balanço foi muito positivo. As pessoas ficaram muito contentes e recebemos vários contactos de familiares a agradecer. Houve quem nos perguntasse logo quando voltaríamos. Sentimos que esta iniciativa tocou verdadeiramente as pessoas”, revelou Pedro Martins.

Também os jovens voluntários envolvidos manifestaram entusiasmo com a experiência, tendo surgido a proposta de realizar regularmente ações de voluntariado associadas à catequese.

Para o autarca, o projeto representa mais do que um conjunto de visitas domiciliárias. “Queremos criar laços, combater a solidão e mostrar às pessoas que não estão sozinhas. Muitas vezes, aquilo de que mais precisam é alguém disponível para ouvir e estar presente.”

A organização espera agora alargar a rede de voluntários e chegar a um número crescente de idosos e cuidadores informais da freguesia, reforçando uma resposta comunitária assente na proximidade, solidariedade e entreajuda.