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Imaginarius 2027 já prepara a estreia de duas novas criações artísticas em Santa Maria da Feira

Imaginarius 2027 já prepara a estreia de duas novas criações artísticas em Santa Maria da Feira

Os artistas Tomás Custódio Félix e Be Dias já estão a desenvolver os projetos que vão apresentar na próxima edição do Imaginarius – Festival de Artes Performativas em Espaço Público, que decorre em Santa Maria da Feira, entre 20 e 22 de maio de 2027.

Os dois criadores foram selecionados no âmbito da convocatória de Apoio à Criação – Imaginarius 2027, promovida pelo município, que pretende incentivar novas propostas artísticas concebidas especificamente para o espaço público.

A iniciativa recebeu 67 candidaturas, repartidas por duas linhas de apoio. Tomás Custódio Félix foi escolhido entre 33 candidatos à Linha 1 – Emergência Artística, com o projeto «A Bagagem», ao qual foi atribuída uma bolsa de seis mil euros. Já Be Dias venceu a Linha 2 – Desenvolvimento de Carreiras, que contou com 34 propostas, com a criação «Pele Nova Carne Viva», contemplada com um apoio de 10 mil euros.

Além das bolsas, ambos os artistas vão receber uma verba adicional de 1500 euros para apoiar a circulação dos projetos no festival Serralves em Festa. O acompanhamento inclui ainda residências artísticas, mentoria e apoio técnico e de produção, estando também assegurada a participação dos criadores no Imaginarius PRO, programa destinado aos profissionais do setor.

Memória, identidade e pertença em «A Bagagem»

Tomás Custódio Félix encontra-se em residência artística no Imaginarius Centro de Criação (ICC) desde 20 de outubro, onde está a desenvolver uma nova fase de «A Bagagem», uma proposta performativa que parte das memórias da diáspora portuguesa para abordar questões relacionadas com a identidade, a pertença e a transmissão de experiências entre gerações.

A criação combina uma instalação documental, testemunhos reais e uma componente participativa, convidando os espectadores a descobrir um arquivo vivo de objetos, histórias e recordações pessoais.

A intenção é envolver as comunidades locais no processo artístico, recolhendo novos testemunhos em cada apresentação. Desta forma, a obra assume diferentes configurações e constrói uma narrativa coletiva em permanente transformação.

Uma viagem sensorial em «Pele Nova Carne Viva»

Por sua vez, Be Dias inicia a residência artística no ICC a 16 de novembro, com um período de trabalho previsto até ao final do mês, dedicado ao desenvolvimento de «Pele Nova Carne Viva».

O projeto propõe uma experiência performativa imersiva, na qual o público é conduzido por uma composição sensorial que transforma gradualmente a perceção do espaço. Através de memórias, inquietações e momentos de suspensão, a performance constrói uma travessia que culmina no encontro com uma figura transumana, integrada numa arquitetura de ambiente assombrado.

Nesta criação, o horror é abordado numa perspetiva de resistência e emancipação, assumindo-se também como possibilidade de transformação e renascimento.

A seleção dos dois projetos resultou da avaliação de cinco propostas finalistas. Entre os critérios considerados pelo júri estiveram o risco artístico, a capacidade de inovação e o potencial de desenvolvimento das criações, além dos restantes parâmetros definidos no regulamento. A escolha de Tomás Custódio Félix e Be Dias foi aprovada por unanimidade.