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Imaginarius convoca voluntários para performance “MAMIL(a)S” sobre o direito ao corpo e à cidade.

Imaginarius convoca voluntários para performance “MAMIL(a)S” sobre o direito ao corpo e à cidade.

O Imaginarius – Festival Internacional de Teatro de Rua volta a desafiar a comunidade a participar ativamente na criação artística, com a abertura de inscrições para a performance “MAMIL(a)S”, que vai envolver 30 voluntários no centro histórico de Santa Maria da Feira.

A intervenção urbana é uma criação da Desvio Coletivo, que regressa ao festival nove anos depois da marcante apresentação de “CEGOS”. Desta vez, o coletivo propõe uma reflexão sobre o direito ao corpo e à cidade, questionando quem pode ocupar o espaço público sem ser alvo de julgamentos ou constrangimentos.

A performance reúne três dezenas de participantes, maiores de idade e com identidades diversas, cujos corpos serão integralmente cobertos por tecidos que ocultam marcas de género, deixando visível apenas um elemento: os mamilos. Este detalhe simbólico evidencia a desigualdade de perceções quando a exposição do corpo ocorre no masculino ou no feminino.

Mais do que um espetáculo, “MAMIL(a)S” assume-se como um gesto coletivo de afirmação e celebração, que procura desconstruir normas sociais e provocar reflexão sobre a presença no espaço urbano. A iniciativa destaca que, enquanto para alguns circular na cidade é um direito adquirido, para outros continua a ser sinónimo de vigilância e risco.

O projeto envolve um processo de criação participado, com momentos de reflexão, reconhecimento do território e preparação performativa. Estão previstas conversas sobre liberdade e espaço público, bem como exercícios físicos e artísticos que irão preparar os voluntários para a intervenção.

Com esta ação, o Imaginarius reforça o seu compromisso com uma programação que cruza arte e intervenção social, promovendo o debate sobre igualdade, inclusão e liberdade. “MAMIL(a)S” apresenta-se, assim, como um manifesto vivo sobre o direito à cidade e ao próprio corpo, desafiando o público a repensar limites e preconceitos ainda presentes no quotidiano.